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Água: se não cuidar vai faltar

Domingo, 08 Fevereiro 2015
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No Estado de São Paulo, a falta de água muda a rotina dos paulistanos. Essa preocupante realidade desperta atenção nos demais Estados do Brasil quanto à importância da prevenção e preservação dos recursos hídricos.

Os condomínios são fortes aliados nessa campanha de conscientização. Em Santa Catarina, no verão, condomínios de cidades turísticas como Balneário Camboriú e Florianópolis ficam em alerta. Isso porque, nessa época, a população da capital catarinense duplica e passa de 500 mil para 1 milhão de pessoas.
Já em Balneário, o número de ocupantes chega a ser dez vezes maior. Ou seja, o fornecimento acaba não suprindo a demanda, restando aos condomínios procurar alternativas de abastecimento e medidas de conscientização para o consumo responsável da água.

“O impacto do desperdício de água é consequência do baixo nível de consciência da sociedade sobre a importância desse elemento”, conforme afirma o professor Daniel José da Silva, engenheiro sanitário e ambiental da Universidade Federal de Santa Catarina. “Hoje vivemos um ápice de indiferença.
As pessoas não internalizam realmente o papel da água em nossa vida. O reflexo disso é a escassez do recurso hídrico que já afeta algumas regiões do país. Os condomínios precisam promover a conscientização para que as pessoas assimilem o valor da água. A economia e o uso correto serão apenas consequências”, orienta.

Redutores de vazão

No condomínio Santana Top Life, em São Paulo, a subsíndica e consultora condominial Rosely Schwartz relata que, mesmo o condomínio contando com poço artesiano, foi necessário tomar medidas de redução do consumo de água.
“Uma das medidas aprovadas em assembleia foi que todos os moradores instalariam redutores de vazão nas torneiras, descargas e pias”. Em São Paulo a Sabesp, agência reguladora, encaminhou uma carta a todos os condomínios estipulando uma meta de redução de consumo.

“Fizemos uma campanha com os moradores para que todos se conscientizassem, porque o problema é grave. Conseguimos atingir a nossa meta”, conta Rosely.
De acordo com a especialista, há casos de condomínios em São Paulo que tiveram de estabelecer rodízios para fechamento de registro em alguns horários do dia, além de interditar suas piscinas e modificar a forma de limpeza e faxina, evitando usar mangueiras.

Vazamentos

De nada adianta economizar água se não houver os cuidados necessários com o sistema hidráulico do condomínio. Um vazamento, por menor que seja, é motivo de alerta e reparo emergencial. Segundo os especialistas, uma torneira pingando desperdiça 46 litros de água em um dia. E isso poderia ser corrigido rapidamente com a troca de um vedante.

Para identificar o problema é necessário fazer uma vistoria periódica, a cada seis meses, pois há vazamentos difíceis de serem identificados. A origem do problema pode ser de responsabilidade dos apartamentos – quando o dano é identificado nas tubulações horizontais que servem as unidades – ou de responsabilidade do condomínio – quando o vazamento está nas tubulações verticais que conduzem a água por todos os andares.

Nos apartamentos, a caixa acoplada do vazo sanitário é um dos pontos que devem ser verificados, pois, após um tempo de uso, ela pode deixar de vedar corretamente, gerando desperdício. Também no mecanismo da descarga, a válvula hidra exige manutenção preventiva. Quando desregulada, pode liberar fio de água ininterrupto.
Os registros comandam as tubulações e precisam ser mantidos em perfeito estado de conservação.

É responsabilidade do condomínio verificar, periodicamente, a vedação da caixa d’água, que frequentemente é a causa de vazamentos. A linha de água do condomínio é uma parte do encanamento que fica enterrada e, portanto, mais difícil de localizar o ponto de vazamento.

No entanto, também é uma área que requer verificação, já que há muitos casos de desperdício de água devido a danos neste ponto da tubulação. Também soterrado é o trecho da prumada dos hidrantes até o registro de recalque, que pode ser origem de vazamentos.

O geólogo Luiz Fernando Scheiber, orienta que a água da chuva pode ser armazenada e reutilizada pelos condomínios.
O Condomínio Edifício Aquarius, no bairro Ingleses, em Florianópolis, consegue ainda escapar do problema da falta de água no verão. Isso graças ao sistema de ponteira – que capta a água do lençol freático por meio de bomba de sucção.

“Não temos o abastecimento pela Casan, então usamos esse sistema que ainda supre a nossa demanda”, conta a síndica Gilda Hugo (foto acima), que relata escutar, com frequência, carros de som que passam na rua com anúncios de caminhão-pipa. “Essa semana o alto-falante passou o dia todo oferecendo reposição de água pelo caminhão. Sinal de que tem muito edifício sem água”, diz.

O geólogo Luiz Fernando Scheiber (foto acima), professor da Universidade Federal de Santa Catarina, diz que, embora a ponteira seja um recurso válido, é necessário avaliar com critério a qualidade da água captada. “Como não é fornecida pela agência de abastecimento, responsável por tratar a água para que esteja apta ao consumo, é importante que o condomínio chame um especialista para analisar a água disponível para consumo”, destaca.

A captação também precisa ser comedida. Em condomínios próximos a praias, se houver exploração desenfreada do lençol, que tem capacidade limitada, pode haver rebaixamento da água doce, permitindo que a água salgada, camada inferior, suba e contamine o lençol. “Se a salinidade atingir a água doce do reservatório a contaminação da água potável pelo sal é irreversível, com perda total de mais uma fonte do recurso”, explica.

Outra ameaça para a contaminação da água captada por ponteira é o esgoto, que precisa estar localizado a uma distância segura do reservatório de água. “Cuidado para não instalar o tratamento de esgoto do condomínio próximo ao lençol”, orienta Scheiber.

Embora o condomínio não seja ainda atingido diretamente pela falta do recurso, a síndica Gilda Hugo expressa a sua preocupação em preservar e economizar água, o que lhe exige fiscalização insistente e chamadas educativas aos moradores e inquilinos do edifício. “Por vezes cheguei da rua e o estacionamento estava inundado. Sinal de que a água ficou escorrendo por horas.

O brasileiro acostumou a pensar que a água é eterna, Eu alerto aos moradores para economizarem esse bem comum que daqui a pouco estará valendo ouro”, diz. Como nesta época há muitos turistas e ocupantes que estão apenas de passagem nos apartamentos, como familiares e amigos de condôminos, a síndica diz sentir dificuldade de conscientizar as pessoas para atitudes mais responsáveis.

“São pessoas que vêm passar férias. Não se sentem comprometidas para essa mudança de atitude. De alguns ainda consigo obter reações positivas. O que me faz persistir”, sustenta.

Verão 2015

No condomínio Jurerê Summer, localizado no norte da ilha de Florianópolis, a síndica profissional Simone Monguilhott relata que, até o momento, o suprimento de água neste verão não foi interrompido e se continuar assim o condomínio economizará este ano, já que não será necessário abastecimento por caminhão-pipa.

“Geralmente em janeiro temos de contratar dois caminhões”, conta. Para educar os turistas e moradores do condomínio, a síndica Simone explica que as campanhas para preservação da água são constantes. “Fazemos circulares por e-mail, porque o maior número dos proprietários é de fora. Também peço auxílio das imobiliárias”, diz.

No edifício Maison Alhambra, em Jurerê Internacional, a síndica Rosana Marcontes também afirma que este ano ainda não tiveram problemas de falta de água. “Este ano está mais tranquilo. No ano retrasado faltou água do dia 26 ao dia 2 de janeiro. Para não ficarmos sem água tivemos de pagar o caminhão-pipa”, lembra.

Além de realizar campanhas de conscientização com todos os moradores, por meio de cartazes, a síndica Rosana aponta que, devido ao sistema de hidrômetro individual, o consumo de água passa a ser mais comedido. “Cada morador controla o que gasta, porque paga o que consome. Então o gasto é menor”, diz.

No entanto, a síndica critica a Casan por deixar a leitura dos hidrômetros e os cálculos de consumo por parte do condomínio. “A agência só visualiza o relógio geral e manda a conta total. Eu preciso todos os meses mandar a conta para cada apartamento conforme a leitura dos respectivos hidrômetros. Essa conta nunca bate”, reclama.

Reuso

Segundo informações do geólogo Luiz Fernando Scheiber, em Santa Catarina as chuvas são bem distribuídas durante todo o ano. “Esse dado favorece o equilíbrio no abastecimento de água”, diz.

Todavia, o professor chama a atenção dos condomínios para a importância da captação da água da chuva. “A chuva é normalmente encarada nos condomínios como um problema. Pelo contrário, acentuo que essa água precisa ser armazenada e reutilizada pelos moradores”.

De acordo com o geólogo a água da chuva pode ser utilizada para limpeza do condomínio, lavação de carros e descargas sanitárias – que são um dos maiores desperdícios de água tratada na opinião do especialista. “Cada descarga consome de 10 a 30 litros de água potável”.

O engenheiro Daniel José da Silva concorda e observa que os condomínios precisam ficar atentos para as novas tecnologias e fazer as atualizações que beneficiam o ecossistema e a vida. “Hoje existem descargas que controlam o volume de água de acordo com a necessidade.

Os próprios edifícios poderiam pensar em desenvolver um sistema de reutilização da água da pia para o vaso sanitário”, diz.

Tecnologia

O redutor de vazão é um pequeno anel de plástico que controla a quantidade de água na saída das torneiras, chuveiros e descargas. Uma tecnologia simples, barata e que pode reduzir o consumo de água pela metade. No mercado pode ser encontrado em diversos modelos e preços.

A instalação é simples e não requer contratação de encanador. Segundo especialistas, uma pia consome em média 15,6 litros por minuto para lavar louça. Com o redutor de vazão o consumo cai para 6 litros por minuto. Em cinco minutos são economizados 48 litros, quase metade do consumo diário de 110 litros de água.

A instalação de hidrômetros individuais é outro recurso que pode baixar o consumo de água nos condomínios em até 15%. Em Balneário Camboriú, o Edifício Imperatriz utiliza o sistema de hidrômetro único. Composto por 264 apartamentos e 22 lojas comerciais, nos meses de verão, o condomínio paga mensalmente uma média de R$ 30 mil pelo consumo de água. Esse valor, diluído entre os condôminos, fica em torno de R$ 105 por mês. A síndica Lorelize Centurion se diz insatisfeita com o sistema do condomínio. Ela defende a medição individualizada.

“Cada morador deveria ter o seu hidrômetro. Assim, cada um poderia controlar o seu consumo e também perceber se há algum vazamento na unidade. Com a medição generalizada, esses problemas são dificilmente detectados”, informa Lorelize.

Especialistas sugerem incentivos governamentais para custear obras em condomínios para alteração de seus sistemas de medição. “Todos os edifícios antigos com hidrômetros únicos deveriam fazer essa alteração, pelo bem dos condôminos e do planeta”, frisa o geólogo Scheiber.

Fonte: http://condominiosc.com.br/2015/02/agua-se-nao-cuidar-vai-faltar/

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